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Darwin e as Multinacionais

Postado em 25/09/2017 - Texto de Diego Alves


Categoria: Trabalho em grupo


Darwin e as Multinacionais

Todo o dia de manhã o rapaz errava, se não fosse no relatório, era em um processo básico da sua rotina, ele já não sabia o que fazer para ter um dia perfeito, quando não fosse questionado pelo gestor de forma desconfiada se os números estavam realmente corretos. Eu era gestor de outra área, mas ficava observando essa esquete atento para que o garoto inseguro atingisse o êxito. Na insistência de acompanhar aquela situação que seria cômica se não fosse trágica, me peguei torcendo no final para que ele acertasse e saísse com um sorriso no rosto.

Depois de ver seus esforços serem desperdiçados, um dia combinei com ele em um dos cafezinhos que tomávamos naquela salinha apertada e com aquela resenha bem humorada de fatos comuns, tais como futebol, aquele cheirinho de café e enquanto mordiscava uma bolacha doce, terminei a mesma, contei que observava aquele quadro toda a manhã e fiz um trato com ele. Propus.

A partir de amanhã, você irá enviar o relatório a mim primeiro, e logo após eu der meu ok, você encaminhará ao seu gestor.

Ele sorriu e agradeceu com os olhos, concordou e expressou a admiração pelo resto do dia, e isso se sucedeu naquela manhã. Ele enviou o relatório a mim e escreveu no bate-papo interno da empresa dizendo, enviei para você, está na caixa. Perfeito. Respirei fundo, e comecei a analisar. Os números batiam, não tinha onde errar, confirmei a ele e ele enviou ao gestor.

Em 5 minutos, o gestor deu o feedback a ele dizendo: "Ora, o relatório está impecável, mas faltou registrar uma nota que havia ficado pendente e foi resolvida no dia anterior".

Chamei ele para um café e conversei com ele, pois por mais que ele tivesse algum erro no relatório, ele precisava criar uma rotina de conferência para reduzir as chances de errar novamente. Ele, meio chateado, disse que não ia adiantar, e que o problema era ele. Respirei fundo e disse a ele que as coisas não iam melhorar enquanto ele não tomasse uma atitude e trabalhasse em melhorar. Ele não melhorou, e continuou errando e fazendo o pior jogo de todos, o de apontar o erro dos outros.

Alguns anos depois nos encontramos, ele continua fazendo a mesma coisa, errando nas mesmas coisas, e eu já fiz um bocado de coisa além do que fazia naquela época, e hoje erro todos os dias de uma maneira diferente, mas no outro dia eu já sei onde não devo errar.

Você sempre irá se deparar com esse tipo de pessoa, que sabe onde está o erro, não mapeia as etapas e faz disso uma rotina, até que o erro seja encarado como normal, e em alguns casos, esse ser ainda deseja que os demais errem para que ele esteja dentro dos padrões.

Darwin provou com a seleção natural que os seres vivos que não se adaptassem ao meio ambiente iriam pagar com sua descendência, o que não difere muito de nossos profissionais da atualidade.

Fazendo as mesmas coisas, nós seguiremos no mesmo lugar. Quando nós buscamos chegar o mais perto possível da perfeição, nos acostumamos a um novo padrão, ao padrão de excelência.

 

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